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A tokenização do mundo e seus reflexos no Brasil

Em todo o mundo, a tokenização de ativos caminha a passos largos. No Brasil, os efeitos também já são sentidos.

A tokenização do mundo e seus reflexos no Brasil
‍A maior transformação financeira da nossa geração está começando. Todos os ativos do planeta (ações, títulos, commodities, imóveis, etc.) serão migrados para a blockchain. O sistema financeiro de cem trilhões de dólares está sendo atualizado mais rápido do que as instituições tradicionais conseguem reagir.

- Brian Armstrong,  co-fundador e CEO da Coinbase

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Essa frase foi compartilhada pelo co-fundador e CEO do Coinbase, junto ao relatório de fechamento do Q2 da empresa. Claro que Brian quer vender o seu peixe (quem não?), mas vale olharmos além da manchete, para como o sistema financeiro está entrando cada vez mais onchain, e o que isso significa para o futuro do dinheiro.

Na News de hoje vamos falar sobre como a blockchain saiu de nicho cripto para virar infraestrutura, os números da tokenização no mundo e no Brasil, e como os reguladores estão correndo atrás.

Vamos juntos?

O mercado

Segundo dados que a própria Coinbase compartilhou no resultado do 2º trimestre de 2026, o mercado de cripto como um todo bateu recorde de volume — e, dentro desse ecossistema, os ativos do mundo real (RWA) tokenizados ganham espaço:

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Escala Brasileira

Aqui no Brasil, a proporção é menor, mas não menos relevante: de acordo com o RWA Monitor, o mercado brasileiro de tokenização fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 4,84 bilhões em emissões — alta de mais de 122% frente ao mesmo período de 2025, quando o setor somou R$ 2,17 bilhões. As captações também avançaram: de R$ 1,60 bilhão para R$ 3,00 bilhões no mesmo comparativo.

E é legal observarmos que o crescimento se deu em diferentes frentes regulatórias: CVM 160, emissões privadas e CVM 88, cada uma amadurecendo à sua própria maneira.

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Com a tokenização virando infraestrutura e funcionando em paralelo a estrutura regulatória do mercado de capitais, é essencial uma revisão normativa adequada ao setor.

Novo arcabouço regulatório

‍A tokenização representa uma transformação estrutural do mercado de capitais e exige uma atuação regulatória igualmente inovadora.

- Otto Lobo, presidente da CVM

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A CVM instituiu o GTT (Grupo de Trabalho de Tokenização), em julho de 2026, com prazo de 60 dias para propor um regime experimental de registro, custódia, negociação e liquidação de ativos tokenizados. Na sequência, entrou em vigor a Resolução CVM 246, criando a DITEC (Divisão de Tecnologia Financeira), uma área permanente dentro do organograma da CVM.

O Banco Central caminha na mesma direção, por outra porta: depois de redirecionar os testes do Drex, o presidente Gabriel Galípolo tem descrito o projeto como uma solução voltada a reduzir atrito na colateralização de garantias em operações de crédito via tokenização e contratos inteligentes.

Vamos continuar acompanhando de perto como a CVM desenha esse regime experimental nos próximos meses — o resultado impacta diretamente como o mercado irá estruturar, custodiar e distribuir os ativos. E nos restará ver como a profecia de Brian Armstrong se concretizará.

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September 3, 2026

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